1312 é o ano em que o papa extingue a Ordem do Templo. O imenso papel militar e económico que os Templários desempenhavam em grande parte da Europa, e especialmente em França e na Península, foi posto em causa, a bem dizer subitamente (1307), por Filipe, o Belo, rei de França. O neto de S. Luís seguia uma política inteiramente oposta à do avô. Nesta questão, é possível que tenha tido alguns pretextos; mas é praticamente seguro que não teve razão. A verdade é que conseguiu, vencendo a resistência do papa Clemente V, que a Ordem fosse extinta. O papa julgou mais razoável que os bens do Templo passassem para os Hospitalários. El-Rei D. Dinis, não vendo motivo para tais severidades, mas compreendendo ser impossível salvar os Templários como instituição, bateu-se por que eles não fossem perseguidos e por que os seus bens servissem para a fundação da nova Ordem, votada à defesa da cristandade contra os Infiéis. Começou por fazer um acordo com seu genro, Filipe de Castela; a breve trecho se lhes juntou o cunhado, de Aragão. E entre os três conseguiram do papa (já então João XXII) autorização para que o destino das riquezas templárias fosse regulado caso a caso. Em Portugal, com perfeito acordo pontifício, foi criada a de Cavalaria de Jesus Cristo, provisoriamente com sede em Castro Marim, enquanto não se estabeleceu (1356?) em Tomar no Castelo que fora dos Templários.

As negociações tinham sido demoradas e complexas. Mas D. Dinis triunfou. Em 1319, João XXII, pela bula Ad ea ex quibus, de 14 de Março, ratificada por D. Dinis em 5 de Maio, funda a Ordem de Cristo. A história do Mundo ia mudar: é sabido que foi esta Ordem o instrumento principal de que, no espiritual e no material, se iriam servir os nossos reis para a empresa dos Descobrimentos, da Colonização e da Evangelização.
A nova Ordem ficou a reger-se pela Regra de Calatrava, ou seja, de Cister. O espírito de S. Bernardo continuava a inspirar e disciplinar muito da acção dos Portugueses, como no tempo de D. Afonso Henriques.
Logo em 1320, a nova Ordem participava na guerra movida por D. Dinis contra os Mouros, guerra essencialmente marítima, necessária para a prosperidade das populações costeiras do Sul do País. O rei podia dispor da décima de todas as rendas eclesiásticas dos reinos, exceptuando as da Ordem do Hospital.
É do ano seguinte (1321) o primeiro Regimento (estatuto) da Ordem de Cristo. Nesse ano, os bens da Ordem estavam espalhados por todo o País, desde Rio Frio, no Alto Minho, a Castro Marim, no Algarve, desde Soure a Salvaterra do Extremo, desde Lisboa a Elvas.
Fonte: Livro “A Monarquia Portuguesa” da Reader´s Digest.



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