Há 20 anos atrás, estava a deflagrar o célebre incêndio no Chiado e eu, com 9 anos estava no carro com os meus pais, a passar a Ponte 25 de Abril direcção Genève – Suíça, depois de mais umas férias de Verão. Eram perto das 6h00 da manhã, o sol estava a nascer sobre Lisboa, quando nos deparámos com o cenário desolador na Baixa Lisboeta. Só quando chegámos a Espanha para passar a noite, perto de Saragoça é que na televisão nos demos conta da verdadeira catástrofe que se abateu no Chiado.
Neste Domingo, o Correio da Manhã, na sua revista, traz uma reportagem sobre o dia 25 de Agosto de 1988, em que Lisboa acordou com o seu coração em chamas com as histórias dos protagonistas da tragédia.
Não vou fazer cópia dos relatos das pessoas que viveram de perto a tragédia, porque não seria ético. Creio que contudo, com as imagens que se seguem, estas valerão mais do que qualquer palavra!





Nada naquela zona da cidade de Lisboa ficaria como dantes. Algumas pessoas perderam seus familiares, perderam os seus bens e tantos outros se aprontaram em ajudar a corporação de Bombeiros que lutava com bravura contra as chamas.
O incêndio começou cerca das 4h30 numa montra dos Armazéns Grandella. Meia hora bastou para que o edifício fosse ceifado pelas chamas. Os bombeiros foram chamados pelas 5h15 e chegaram poucos minutos depois, quando as labaredas já tinham passado para o outro lado da rua do Carmo. O incêndio arrasou o quarteirão entre os Armazéns Grandella e a rua Garrett. Foi em vão que os bombeiros tentaram impedir as chamas de alastrarem à rua Nova do Almada. 1680 bombeiros de todas as corporações de Lisboa e arredores lutaram contra as chamas. Um combate que mobilizou mais de duas mil pessoas, contando com os elementos das forças de segurança, Cruz Vermelha Portuguesa e militares. Morreram um bombeiro e um morador na rua do Carmo. Ficaram feridas 73 pessoas. Pelas 12h30 o incêndio foi considerado extinto mas as operações de rescaldo prolongaram-se até ao dia 5 de Setembro. Perderam-se 18 edifícios pombalinos. Mais de duas mil pessoas, essencialmente trabalhadores dos estabelecimentos comerciais reduzidos a cinzas, perderam o emprego.
Consta que na entrada dos antigos Armazéns do Chiado existia um livro de visitas e que cuja primeira assinatura foi de Sua Majestade a Rainha Dona Amélia. Infelizmente, esse livro, com o incêndio, perdeu-se para sempre…

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